Por décadas, falar em tênis esportivo quase inevitavelmente levava a um nome: Nike. Só que o mercado está mudando.
Enquanto a gigante americana enfrenta queda de receita, dificuldades na China, reestruturação e pressão dos investidores, uma marca suíça muito mais jovem vem crescendo, ampliando sua presença global e entrando em territórios historicamente dominados pelas gigantes do esporte.
O nome dela é On.
Em setembro de 2026, essa disputa ganhou um símbolo poderoso: Kylian Mbappé encerrou uma relação de cerca de duas décadas com a Nike e se tornou parceiro global da On. O movimento chamou ainda mais atenção porque a empresa suíça está preparando sua entrada oficial no futebol, com os primeiros produtos previstos para 2027.
Mas isso significa que a On está prestes a derrubar a Nike? Os números mostram uma história mais interessante — e bem menos simples.
A Nike perdeu força — e os números mais recentes confirmam isso
Em 1º de outubro de 2026, a Nike divulgou os resultados do primeiro trimestre fiscal de 2027, encerrado em 31 de agosto. A receita total ficou em US$ 11,2 bilhões, queda de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 5% em moeda constante.
As vendas diretas da Nike caíram 8%, enquanto o canal digital da marca recuou 13%. A empresa reconheceu que ainda há trabalho a fazer em áreas como Nike Sportswear, Jordan Brand e Grande China.
Além disso, a companhia informou esperar uma queda de receita na faixa de um dígito alto no ano fiscal de 2027. As informações estão no resultado oficial divulgado pela Nike.
No dia seguinte, a Reuters destacou que as ações da empresa haviam chegado ao menor nível em aproximadamente 12 anos, aumentando a pressão sobre o plano de recuperação conduzido pelo CEO Elliott Hill. A crise, portanto, é real. Isso é diferente de dizer que a Nike está “acabando”.
Até o S&P 100 deixou a Nike de fora
Outro símbolo dessa perda de força apareceu em setembro de 2026. A S&P Dow Jones Indices anunciou a retirada da Nike do S&P 100, índice que reúne algumas das maiores e mais consolidadas empresas listadas nos Estados Unidos.
A mudança passou a valer em 21 de setembro de 2026. A Nike foi retirada do índice ao mesmo tempo em que empresas de tecnologia ganharam espaço. A alteração pode ser conferida no comunicado oficial da S&P Global.
A Nike continua fazendo parte do S&P 500. Portanto, sair do S&P 100 não significa sair da Bolsa nem indica, por si só, risco de falência. É, porém, um sinal de como a posição relativa da companhia mudou.
Enquanto isso, a On cresce
No segundo trimestre de 2026, a On registrou vendas líquidas de 850,3 milhões de francos suíços, alta de 13,5% sobre o mesmo período do ano anterior. Em moeda constante, o crescimento foi de 21,6%.
O canal direto ao consumidor cresceu 26% — ou 34,3% em moeda constante — e passou a representar 45,7% das vendas do trimestre. A própria empresa informou que o reconhecimento global da marca chegou a 30%. Os dados estão no resultado oficial da On.
Esse é o sentido de “On em alta” neste artigo: crescimento de vendas, expansão dos canais, aumento de reconhecimento e entrada em novas categorias.
Há uma ressalva importante. Isso não significa que as ações da On estejam em alta. Em setembro, a Reuters observou que os papéis da empresa acumulavam forte queda em 2026, em meio a preocupações com a desaceleração do crescimento nas Américas. Ou seja: uma empresa pode crescer operacionalmente e, ao mesmo tempo, enfrentar desconfiança do mercado financeiro.
Quem é a On, afinal?
A On nasceu nos Alpes Suíços em 2010 e ganhou espaço principalmente no mercado de corrida, com tecnologias como a CloudTec®. Hoje, a marca está presente em mais de 90 países e atua também em vestuário, treino, atividades ao ar livre, uso casual e tênis.
Ela ainda é muito menor do que a Nike, mas cresce justamente em um período em que a gigante americana tenta recuperar ritmo, inovação e conexão com o consumidor.
Nike × On: duas empresas em momentos muito diferentes
| Indicador recente | Nike | On |
|---|---|---|
| Receita/vendas do período | US$ 11,2 bilhões | CHF 850,3 milhões |
| Variação reportada | -4% | +13,5% |
| Variação em moeda constante | -5% | +21,6% |
| Momento | Reestruturação | Expansão |
| Futebol | Potência tradicional | Entrada planejada para 2027 |
| Mbappé | Fim de uma parceria de cerca de 20 anos | Novo parceiro global |
Os períodos, moedas e tamanhos das empresas são diferentes. A tabela não é uma comparação contábil direta; ela serve para mostrar a direção recente de cada negócio.
Mbappé virou o símbolo dessa disputa
Em 18 de setembro de 2026, a Reuters informou que Kylian Mbappé deixou a Nike e assinou com a On. A parceria inclui o jogador no projeto de entrada da marca suíça no futebol.
A própria On informa que está desenvolvendo produtos da modalidade em parceria com Mbappé, Thierry Henry e Sydney Schertenleib. Os primeiros produtos estão previstos para 2027, segundo a página oficial da On sobre futebol.
O movimento é relevante porque a On deixa de disputar apenas corrida e tênis e passa a entrar em um dos territórios mais valiosos para Nike, Adidas e Puma: o futebol.
Nike × On: quer comparar as duas marcas na prática?
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Onde a Nike perdeu terreno
O problema da Nike não pode ser resumido a um único erro. A companhia atravessa uma combinação de desafios: fraqueza prolongada na China, pressão sobre produtos de estilo de vida, dependência de promoções e descontos, necessidade de recuperar inovação e reconstrução da relação com varejistas.
Ao mesmo tempo, concorrentes encontraram espaço para avançar. A On é um exemplo particularmente interessante porque aposta em posicionamento premium, inovação e crescimento seletivo, enquanto amplia sua presença global.
A Nike está reagindo. Em outubro, anunciou o programa Pace, uma transformação operacional que inclui modernização da cadeia de suprimentos, reorganização geográfica e novas medidas de eficiência. A companhia estima cerca de US$ 2,5 bilhões em economias acumuladas até o ano fiscal de 2031.
A lição vai além dos tênis
Talvez essa seja a parte mais interessante da história: tamanho protege uma empresa por muito tempo, mas não elimina a necessidade de acompanhar os números e corrigir a rota.
Negócios enormes podem perder espaço quando insistem em estratégias que funcionaram no passado. Na vida financeira acontece algo parecido em outra escala: quando a pessoa não acompanha quanto entra, quanto sai, para onde o dinheiro está indo e o que precisa mudar, o problema pode crescer silenciosamente.
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A On pode realmente ameaçar a Nike?
A diferença de tamanho ainda é enorme. A Nike faturou US$ 11,2 bilhões em apenas um trimestre, enquanto a On registrou CHF 850,3 milhões no trimestre comparado.
O fenômeno interessante não é a On já ter ultrapassado a Nike — porque isso não aconteceu. É uma empresa fundada em 2010 conseguir crescer rapidamente em categorias nas quais marcas gigantes construíram décadas de vantagem em distribuição, marketing e patrocínio.
A chegada ao futebol torna essa ambição ainda mais evidente. A On não precisa “derrubar” a Nike amanhã para representar uma ameaça competitiva. Basta continuar conquistando consumidores e ocupando espaços que antes pareciam reservados às marcas tradicionais.
Não é o fim da Nike. É uma disputa que ficou muito mais interessante
A Nike continua sendo uma das maiores empresas esportivas do mundo e tem recursos para tentar recuperar crescimento, inovação e relevância.
Ao mesmo tempo, a On mostra como uma empresa muito menor pode aproveitar mudanças de comportamento, tecnologia e posicionamento para avançar sobre mercados dominados por gigantes.
Ela começou conhecida principalmente pelos tênis de corrida. Agora tem Mbappé, Thierry Henry, tecnologia própria e uma entrada oficial no futebol planejada para 2027.
Não é exatamente uma troca de império. Pelo menos ainda não. Mas a disputa ficou muito mais interessante.
Perguntas frequentes
A Nike está quebrando?
Não. A Nike continua com faturamento bilionário e presença global. Os dados mais recentes mostram queda de receita, dificuldades em mercados importantes e uma reestruturação, não uma situação de falência.
A On é maior que a Nike?
Não. A Nike ainda é muito maior em receita e escala global. A atenção sobre a On vem principalmente da velocidade de crescimento e da expansão para novas categorias.
Mbappé saiu mesmo da Nike?
Sim. Em setembro de 2026, Kylian Mbappé encerrou uma parceria de cerca de duas décadas com a Nike e se tornou parceiro global da On.
A On já vende chuteiras de futebol?
A On informa que está desenvolvendo seus primeiros produtos de futebol com Mbappé, Thierry Henry e Sydney Schertenleib e que o lançamento está previsto para 2027.
Por que o artigo diz “On em alta” se a ação da empresa caiu?
Porque a expressão se refere ao crescimento operacional e da marca: as vendas da On cresceram 13,5% no segundo trimestre de 2026, ou 21,6% em moeda constante. O desempenho da ação em Bolsa é outra medida e teve trajetória diferente no período.
Nota editorial — atualizada em outubro de 2026: este artigo foi elaborado a partir dos resultados financeiros oficiais de Nike e On, comunicado da S&P Global, informações oficiais da On sobre sua entrada no futebol e reportagens da Reuters. Dados de mercado, resultados corporativos, disponibilidade de produtos e preços podem mudar com o tempo.
Vídeo de referência
Vídeo de referência: “É O FIM: A NIKE ESTÁ FALINDO?”, do canal Nerds de Negócios. A pauta deste artigo foi inspirada no vídeo, mas os dados e afirmações foram conferidos separadamente em fontes oficiais e jornalísticas.




