Imagem ilustrativa criada com inteligência artificial.
Roberta Luchsinger, empresária de 41 anos, ex-candidata pelo PT e amiga de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, voltou ao noticiário após uma entrevista à CNN Brasil em 17 de outubro de 2026. Suas declarações sobre contatos com integrantes do governo provocaram reações públicas e novas perguntas sobre investigações em andamento.
Na conversa, Roberta confrontou declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que presenciou encontros de Lulinha com ministros e manifestou interesse em fazer um acordo de colaboração premiada. O presidente e a defesa do filho negaram irregularidades. A íntegra da entrevista está disponível na CNN Brasil.
O que se sabe até agora
- Entrevista: Roberta afirmou ter visto Lulinha com integrantes do governo e disse querer colaborar com investigadores.
- Investigação: a Polícia Federal examina suspeitas de tráfico de influência e movimentações financeiras ligadas a pessoas e empresas do entorno da empresária.
- Respostas: Lula negou conhecimento das supostas tratativas; a defesa de Lulinha negou a prática de irregularidades.
- Situação da delação: a intenção anunciada publicamente não equivale a um acordo formalizado ou homologado.
A trajetória de Roberta Luchsinger
Roberta Moreira Luchsinger é empresária e diretora da RL Consultoria e Intermediações, que atua com agenciamento e intermediação de serviços e negócios. A empresa aparece em apurações sobre contratos e pagamentos envolvendo pessoas próximas ao governo federal. A CNN Brasil descreveu sua trajetória ao detalhar a investigação.
Ela já participava do debate político antes do caso atual. Em 2017, declarou que pretendia doar cerca de R$ 500 mil em dinheiro e bens ao então ex-presidente Lula, após um bloqueio judicial de patrimônio. A doação foi impedida pela Justiça. Em 2018, concorreu a deputada estadual em São Paulo pelo PT, sem se eleger, e depois se filiou ao PSB. Esses fatos ajudam a explicar sua visibilidade política, mas não demonstram, por si, influência indevida.
Qual é a relação dela com Lulinha?
Roberta e Fábio Luís Lula da Silva mantinham uma relação de amizade. A empresária confirmou conhecer Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e a Polícia Federal passou a examinar possíveis conexões entre empresários, a consultoria e o filho do presidente. Roberta nega ter sociedade empresarial com Lulinha; a defesa dele também rejeita irregularidades.
Atenção à diferença: conhecer autoridades ou participar de reuniões não constitui, isoladamente, crime. A investigação precisa estabelecer se houve promessa de vantagem, pagamento indevido ou algum ato público irregular.
O que a Polícia Federal está investigando?
O nome da empresária apareceu em desdobramentos da Operação Sem Desconto, voltada inicialmente a apurar descontos associativos indevidos em benefícios previdenciários. Roberta foi alvo de buscas e medidas cautelares, incluindo bloqueio de valores e uso de tornozeleira eletrônica, conforme reportagens sobre a apuração. A Polícia Federal informou oficialmente sobre uma fase da operação em agosto de 2026.
Os R$ 1,5 milhão associados à consultoria
Segundo reportagens baseadas nas investigações, a consultoria de Roberta recebeu cerca de R$ 1,5 milhão de uma empresa ligada a Antônio Camilo Antunes. A suspeita sob exame é se os recursos tinham a finalidade comercial declarada ou se poderiam encobrir outro destino. A empresária afirma que prestou serviços relacionados a projetos no setor de canabidiol e nega ter participado dos descontos ilegais do INSS. Confira o relato da CNN sobre os pagamentos.
Os pagamentos ao ex-assessor Marcola
Uma investigação noticiada pela Folha de S.Paulo apontou despesas pessoais de aproximadamente R$ 217 mil pagas por Roberta a Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete pessoal do presidente. Os valores foram associados a cartão de crédito, veículo e outros gastos. A defesa do ex-assessor disse que se tratava de um empréstimo pessoal e negou relação com decisões públicas. A apuração procura esclarecer a natureza efetiva das transferências. Leia a reportagem da Folha.
O contrato do Ministério do Desenvolvimento Social
Outra frente foi noticiada em setembro: mensagens examinadas pela PF indicariam pagamentos ligados a integrantes do Ministério do Desenvolvimento Social. Meses depois, o órgão assinou contrato de cerca de R$ 31,2 milhões com a 3Structure, empresa representada por Roberta; outra contratação, de R$ 19,2 milhões, foi mencionada pela CNN em abril de 2026. O ministério nega favorecimento e afirma que os processos passaram por licitação. A empresa disse que os contratos observaram as regras legais e negou conhecer os pagamentos investigados. Veja a reportagem e as manifestações das partes.
O que isso prova? Por enquanto, a existência de transferências e contratos não demonstra automaticamente corrupção ou direcionamento. É necessário apurar quem recebeu, por quê, quais decisões foram tomadas e se houve contrapartida indevida.
O que Roberta afirmou na entrevista à CNN?
Na entrevista exibida em 17 de outubro, conduzida por Débora Bergamasco e Iuri Pitta, a empresária disse que presenciou Lulinha em reuniões com ministros, mas não detalhou todas as ocasiões nem apresentou ali elementos suficientes para demonstrar que tais encontros fossem ilícitos. Ela também afirmou que alguns ministros teriam procurado sua ajuda para conseguir agendas e contestou publicamente as críticas de Lula à sua atuação. Leia a transcrição integral.
Roberta relatou ainda ameaças envolvendo ela e suas filhas. Após a entrevista, parlamentares da oposição anunciaram pedidos de proteção. Trata-se de alegações e solicitações que precisam ser avaliadas pelas autoridades competentes; o anúncio de um pedido não significa que a proteção já tenha sido concedida. Entenda as reações à entrevista.
Roberta Luchsinger vai fazer delação premiada?
Ela disse que deseja firmar um acordo de colaboração premiada e que poderia fornecer detalhes não registrados nas conversas de WhatsApp. Isso não significa que tenha sido firmado, aceito ou homologado um acordo. Até esta atualização, não localizamos confirmação pública de colaboração formalizada da empresária.
A colaboração premiada é disciplinada pela Lei nº 12.850/2013. Mesmo quando é celebrada, as declarações do colaborador precisam ser examinadas com outros elementos de corroboração. Uma promessa de revelações, portanto, não equivale a prova de responsabilidade penal de terceiros.
O que Lula respondeu?
Em nota encaminhada à CNN após a entrevista, a Secretaria de Comunicação Social afirmou que o presidente desconhece os fatos relatados por Roberta, nunca manteve interlocução com ela e não recebeu suas demandas. A nota afirmou também que não existe contrato do governo federal diretamente com a empresária e questionou a divulgação das acusações na proximidade do segundo turno eleitoral. Consulte a íntegra da resposta divulgada pela CNN.
Os advogados de Fábio Luís Lula da Silva negaram qualquer irregularidade. Disseram que suas relações com agentes políticos são pessoais, sem troca de favores ilícitos, e afirmaram que as insinuações da empresária divergem de declarações prestadas às autoridades. A defesa declarou que ele colocou dados à disposição da Justiça e pretende demonstrar sua inocência nos autos. A manifestação da defesa foi publicada pela CNN.
O que Lula e Roberta disseram após o debate de 18 de outubro?
No debate presidencial da Band de 18 de outubro de 2026, Flávio Bolsonaro perguntou a Lula sobre Roberta Luchsinger e as declarações feitas à CNN. O presidente respondeu: “A Roberta é uma questão da Polícia Federal, e a Polícia Federal vai cuidar”. A resposta foi registrada pela CNN Brasil. Na mesma noite, Roberta publicou um vídeo em suas redes sociais contestando novamente as afirmações do presidente, conforme noticiou o UOL. Essas manifestações são posições públicas dos envolvidos e não comprovam, por si mesmas, as suspeitas investigadas.
O que o parecer da PGR de agosto realmente diz?
Este é um detalhe importante para interpretar as manchetes. Em agosto de 2026, um parecer da Procuradoria-Geral da República, noticiado pela CNN, afirmou que a investigação então analisada sobre tentativas de negócios ligadas ao Careca do INSS não havia encontrado contratos concluídos com o governo federal nem relação comprovada daquela frente com os descontos previdenciários. O órgão ressalvou que isso não descartava a possibilidade de outros crimes, como tráfico de influência. Leia a explicação do parecer.
Esse recorte não é idêntico à reportagem posterior sobre contratos da 3Structure com o Ministério do Desenvolvimento Social. Tratar investigações distintas como se fossem uma só pode criar falsas contradições. As conclusões devem sempre ser atribuídas à frente investigativa e ao período a que se referem.
O que está comprovado, o que está sob apuração e o que é alegação?
- Documentado: a entrevista ocorreu; há investigações e medidas cautelares; Lula e a defesa de Lulinha apresentaram respostas públicas.
- Sob investigação: finalidade de movimentações financeiras, possíveis vantagens indevidas e eventual influência em decisões da administração.
- Ainda não comprovado pelas declarações públicas: que Lula tivesse ciência de eventuais práticas ilegais, que as reuniões fossem criminosas ou que a colaboração prometida já exista formalmente.
O interesse público não está apenas em descobrir quem conhece quem, mas em saber se houve atos concretos de favorecimento, se há documentos que os sustentem e se as versões dos envolvidos resistem à apuração. O direito de defesa deve ser preservado em todas as etapas.
Perguntas frequentes
Roberta Luchsinger é do PT?
Ela concorreu a deputada estadual pelo PT em 2018 e, depois, filiou-se ao PSB. A filiação atual precisa ser consultada no cadastro partidário competente.
Roberta foi presa?
As reportagens verificadas descrevem busca e apreensão, bloqueios e uso de tornozeleira eletrônica, mas não permitem afirmar que ela tenha sido presa no âmbito desses procedimentos.
Roberta é sócia de Lulinha?
A Polícia Federal apura suspeitas de atuação conjunta e possível relação empresarial informal. Roberta nega sociedade com o filho do presidente e a defesa dele rejeita irregularidades.
A delação já foi aprovada?
Não há confirmação pública de acordo formalizado e homologado até a atualização desta reportagem. A empresária anunciou a intenção de colaborar.
Lula foi formalmente acusado por causa da entrevista?
Não se deve confundir uma acusação feita em entrevista com uma imputação criminal formal. A reportagem consultada não fornece base para afirmar que a fala tenha produzido, por si, uma acusação formal contra o presidente.
Assista à entrevista de Roberta Luchsinger
CNN Brasil | Entrevista completa — 17 de outubro de 2026
Confira o vídeo e a transcrição da conversa conduzida por Débora Bergamasco e Iuri Pitta. O conteúdo é da CNN Brasil.
Fontes e atualização editorial
- CNN Brasil — Íntegra da entrevista
- CNN Brasil — Resposta de Lula e defesa de Lulinha
- CNN Brasil — Perfil e pagamentos investigados
- CNN Brasil — Parecer da PGR em agosto
- CNN Brasil — Contratos e pagamentos envolvendo o MDS
- Folha de S.Paulo — Pagamentos ao ex-assessor
- Polícia Federal — Operação Sem Desconto
- Lei nº 12.850/2013 — Colaboração premiada
- CNN Brasil — Resposta de Lula no debate da Band (18/10/2026)
- UOL — Vídeo de resposta de Roberta ao debate (18/10/2026)
Nota editorial — outubro de 2026. Atualizado em 19 de outubro de 2026 para incluir a resposta de Lula no debate da Band e a manifestação posterior de Roberta. Esta reportagem distingue documentos e procedimentos investigativos de suspeitas e declarações contestadas. Nenhuma investigação equivale, por si só, à prova de culpa. Novos fatos verificáveis poderão motivar outras atualizações.



