
Em 2016, uma participação de Otávio Mesquita no The Noite colocou Juliana Oliveira no centro de uma cena que ela denunciaria anos depois como violência sexual. O caso ganhou repercussão em 2025 e também envolveu publicamente Danilo Gentili, criticado pela ex-assistente pela forma como seu relato teria sido tratado.
O desfecho conhecido tem dois pontos centrais: o Ministério Público manteve o arquivamento da investigação criminal contra Mesquita em 2025 e a Justiça rejeitou, em primeira instância, os pedidos de indenização feitos por ele e por Juliana. O resultado definitivo de eventuais recursos não foi confirmado, apesar de haver registro de movimentação cível em setembro de 2026.
Danilo, que não foi investigado pela acusação de estupro, negou omissão e divulgou conversas para apresentar sua versão. Juliana deixou o SBT em fevereiro de 2025 e passou a desenvolver atividades de comunicação em outros formatos. A seguir, entenda como essa história se desenrolou e o que se sabe sobre cada um dos envolvidos.
O que aconteceu no The Noite em 2016?
No episódio exibido em 25 de abril de 2016, Otávio Mesquita entrou no palco vestido de Batman e suspenso de cabeça para baixo. Juliana Oliveira, então assistente de palco, foi ajudá-lo a retirar os equipamentos de segurança.
Durante a interação, Mesquita fez contatos físicos e movimentos de conotação sexual. Juliana afirmou posteriormente que não havia consentido com os contatos e que demonstrou desconforto. Mesquita negou ter cometido estupro e argumentou que a sequência fazia parte do contexto humorístico do programa.
A cena, inicialmente exibida como parte de um quadro de humor, voltaria a ser discutida quase nove anos depois. O ponto central da denúncia de Juliana foi o consentimento: ela afirma que os contatos ultrapassaram o que havia sido previsto para a participação.
Por que Juliana denunciou o episódio anos depois?
O assunto não surgiu apenas em 2025. Em dezembro de 2020, Juliana conversou com Danilo Gentili sobre como interpretava o episódio de 2016. Trechos desse diálogo seriam divulgados pelo apresentador em abril de 2025. As partes divergem sobre o que a produção já sabia e quais medidas foram tomadas.
Em março de 2025, Juliana apresentou representação ao Ministério Público de São Paulo. Ela disse que a demora em tornar o caso público estava ligada às dificuldades de lidar com o episódio e ao receio de repercussões profissionais. A formalização da denúncia deu início aos desdobramentos que voltariam a colocar o programa nos noticiários.
Qual foi a participação de Danilo Gentili na controvérsia?
Juliana criticou publicamente Danilo, a produção do The Noite e o SBT por suposta falta de apoio. Em 16 de abril de 2025, o apresentador divulgou um pronunciamento de aproximadamente 46 minutos com áudios de conversas mantidas em 2020.
Danilo afirmou que ofereceu ajuda jurídica e financeira, sugeriu procurar a polícia e o setor responsável da emissora e deixou de receber Otávio Mesquita no programa. Segundo sua versão, Juliana não desejava formalizar a denúncia naquela ocasião. Ela contestou a interpretação dos áudios e manteve críticas à maneira como o caso foi conduzido.
Em janeiro de 2026, durante participação no podcast PodCmais, Gentili voltou a falar da ex-assistente. Ele afirmou que a amizade não se manteve após o rompimento profissional e atribuiu o desgaste, segundo sua interpretação, à influência de terceiros. Essas declarações expressam a versão pessoal do apresentador; não comprovam os motivos ou as decisões de Juliana.
Os áudios ajudam a entender o que Danilo afirmou ter feito após conversar com Juliana, mas não resolvem, por si sós, a divergência sobre o acolhimento recebido por ela.
Leia também: a resposta de Juliana às declarações de Danilo, publicada pela Folha.
O que o SBT informou?
As críticas de Juliana também alcançaram a emissora. Após a repercussão do caso, o SBT afirmou que havia adotado providências por meio de seu departamento de Governança Corporativa. Juliana considerou insuficiente o acolhimento recebido. Sua defesa mencionou possíveis medidas contra a emissora, mas não foi localizado desfecho documental de eventual ação posterior. Essa discussão institucional é distinta da investigação criminal contra Mesquita.
Qual foi o desfecho da investigação criminal?
O Ministério Público de São Paulo arquivou a investigação que apurava a acusação de estupro dirigida a Otávio Mesquita. Juliana pediu a revisão da decisão, mas a Procuradoria-Geral de Justiça manteve o arquivamento em 12 de novembro de 2025, segundo a cobertura jornalística. A decisão ganhou repercussão em dezembro daquele ano.
O entendimento relatado foi de insuficiência de elementos para sustentar a responsabilização criminal. Mesquita negou a acusação e celebrou a decisão; a defesa de Juliana contestou seu resultado.
O arquivamento não equivale a uma condenação de Juliana por denúncia falsa. Também não é correto descrevê-lo como uma condenação ou uma absolvição penal obtida após julgamento.
Em dezembro de 2025, o advogado Hédio Silva Júnior, representante de Juliana, declarou à Folha de S.Paulo que estava movendo um mandado de segurança criminal para contestar o arquivamento e pedir uma análise mais aprofundada. Não localizamos decisão posterior que confirme o resultado dessa medida. A manifestação do advogado não significa que a investigação tenha sido reaberta.
Quem ganhou a ação de indenização?
Em uma disputa cível distinta, Mesquita pediu R$ 50 mil por danos morais, alegando prejuízos à sua imagem. Juliana apresentou reconvenção na mesma ação, solicitando R$ 150 mil.
Em 16 de dezembro de 2025, a 11ª Vara Cível do Foro Regional de Santo Amaro, em São Paulo, rejeitou ambos os pedidos. O magistrado entendeu que não estavam preenchidos os requisitos para conceder as indenizações nos termos pretendidos pelas partes. Também considerou legítimo o direito de Juliana de procurar as autoridades.
Assim, nenhum dos dois obteve a indenização pretendida em primeira instância. Como ainda cabiam recursos, essa sentença não deve ser apresentada como resultado definitivo de toda a disputa.
O processo continuou em 2026?
A base de acompanhamento processual Escavador registra a ação cível envolvendo Otávio Zaneti Mesquita e Juliana da Silva Oliveira como ativa, com movimentação em 8 de setembro de 2026. Esse registro não exibe, na consulta pública examinada, informação suficiente para determinar se houve reforma da sentença, novo julgamento ou trânsito em julgado.
Por isso, a movimentação não pode ser descrita como julgamento de recurso nem como confirmação de uma sentença definitiva. A consulta completa aos autos no Tribunal de Justiça de São Paulo seria necessária para esclarecer o estágio processual.
Por que Juliana Oliveira deixou o SBT?
Enquanto a denúncia passava a ocupar o noticiário, Juliana já estava fora do SBT. Ela havia deixado o elenco do The Noite para atuar em outros projetos da emissora, incluindo o Chega Mais, encerrado em dezembro de 2024. Seu contrato não foi renovado em fevereiro de 2025.
Danilo atribuiu o desligamento a cortes financeiros. Juliana questionou a forma como foi tratada, mas não foi localizada decisão judicial que reconheça a não renovação contratual como retaliação. O contrato terminou antes de a denúncia ganhar ampla repercussão pública, em março e abril de 2025.
Onde está Juliana Oliveira atualmente?
Conhecida também como Ju Black Power, Juliana Oliveira continuou trabalhando com comunicação depois de deixar o SBT. Uma reportagem publicada em 31 de julho de 2026 a relacionou à apresentação de um videocast sobre saúde, beleza e qualidade de vida, patrocinado por uma rede de farmácias. O perfil profissional de Juliana na agência Nine identifica o programa como PodSempre, grafia que adotamos nesta matéria.
A agência também descreve a trajetória de Juliana na televisão e nas plataformas digitais, enquanto reportagens mencionam seu canal Ju Black Power. O perfil profissional não informa sua data de atualização, e não encontramos anúncio que comprove novo contrato fixo com emissora em outubro de 2026. Assim, a permanência de projetos específicos nessa data não deve ser tratada como fato confirmado.
O que já está confirmado — e o que ainda falta esclarecer?
- Investigação criminal: arquivamento mantido em novembro de 2025.
- Pedido de Mesquita: R$ 50 mil de indenização rejeitados em primeira instância.
- Pedido de Juliana: R$ 150 mil de indenização rejeitados em primeira instância.
- Andamento cível em 2026: há movimentação registrada; resultado definitivo não confirmado.
- Discussão com Danilo: versões públicas divergentes, sem decisão judicial específica localizada.
- Carreira de Juliana: videocast PodSempre e projetos digitais mencionados em fontes profissionais e notícias de 2026.
Perguntas frequentes
Danilo Gentili foi acusado de estupro?
Não. A acusação criminal foi dirigida a Otávio Mesquita. Juliana criticou Danilo por suposta omissão, e ele negou a alegação.
Otávio Mesquita foi condenado?
Não. A investigação criminal foi arquivada pelo Ministério Público, com manutenção da decisão pela Procuradoria-Geral de Justiça em novembro de 2025.
Juliana perdeu a ação de indenização?
Seu pedido de R$ 150 mil foi rejeitado em primeira instância, assim como o pedido de R$ 50 mil de Mesquita. Ainda não há confirmação documental suficiente sobre o resultado definitivo de eventuais recursos.
Juliana Oliveira voltou ao SBT?
Não encontramos confirmação de retorno a um vínculo fixo. Seu contrato com a emissora terminou em fevereiro de 2025.
O que Juliana Oliveira faz hoje?
Reportagens de julho de 2026 e o perfil da agência Nine a relacionam ao videocast PodSempre e a projetos digitais. A continuidade de todos os projetos em outubro não foi confirmada.
Afinal, como terminou o caso e por onde anda Juliana?
Quase dez anos depois da exibição da cena no The Noite, a controvérsia ganhou encaminhamentos judiciais, mas nem todas as questões tiveram um resultado definitivo confirmado. Juliana afirmou que sofreu contatos sem consentimento; Otávio Mesquita negou ter cometido estupro e sustentou que se tratava de uma participação humorística.
Na esfera criminal, o Ministério Público manteve o arquivamento da investigação contra Mesquita em 2025. Na esfera cível, a sentença de dezembro daquele ano rejeitou, em primeira instância, tanto o pedido de R$ 50 mil de Mesquita quanto o de R$ 150 mil de Juliana. A ação registra movimentação em setembro de 2026, mas o conteúdo desse andamento e o resultado de possíveis recursos não foram confirmados nesta apuração.
Danilo Gentili não foi investigado por estupro nesse caso. Ele foi questionado por Juliana quanto ao apoio que teria oferecido e respondeu divulgando conversas e negando omissão. Em janeiro de 2026, voltou a comentar o afastamento da ex-assistente. Suas declarações e as críticas dela continuam sendo versões públicas, não uma decisão judicial específica sobre a conduta do apresentador.
Juliana, por sua vez, seguiu na comunicação após deixar o SBT em fevereiro de 2025. Reportagens de 2026 e seu perfil profissional na agência Nine a relacionam ao videocast PodSempre e à produção de conteúdo digital. Não há confirmação atual de um novo contrato fixo com emissora nem da continuidade de todos os projetos até outubro. Esse é, portanto, o retrato verificável: decisões conhecidas de 2025, pendências processuais ainda sem comprovação de desfecho e uma nova fase profissional de Juliana fora do The Noite.
Fontes e referências
Nota editorial: as versões foram atribuídas aos envolvidos. A consulta processual pública não substitui a leitura dos autos. O resultado de eventuais recursos segue sem confirmação. A imagem destacada é ilustrativa, criada com IA.
Assista no YouTube
O Morning Show, da Jovem Pan, repercutiu o pronunciamento de Danilo Gentili e os áudios divulgados em abril de 2025. Trata-se de conteúdo complementar, que apresenta uma das versões da controvérsia.

O homem que invadiu a Band armado: foi verdade ou armação?
A queda de Brad Pitt: por que os filhos retiraram o sobrenome?
RJ Mitte: uma trajetória muito além de Breaking Bad