A China avançou silenciosamente e já transformou o futuro em realidade: veja tecnologias que parecem ficção científica

Por Paula Guarini

Tecnologias futuristas da China com robotáxi, robô humanoide e cidade inteligente

Há poucos anos, pagar uma compra com a palma da mão, pedir comida entregue por drone, entrar em um táxi sem motorista ou ver um robô humanoide caminhando pelas ruas parecia assunto de filme de ficção científica.

Na China, algumas dessas tecnologias já deixaram os laboratórios e começaram a fazer parte da vida real — especialmente em grandes centros tecnológicos como Shenzhen, Xangai, Pequim, Guangzhou e Hangzhou.

Isso não significa que todo o país viva da mesma forma, nem que a China seja líder absoluta em todas as áreas da tecnologia. O que chama atenção é a velocidade com que certas inovações estão passando de demonstrações experimentais para serviços, produtos e infraestrutura usados fora dos laboratórios.

Em resumo: carros com recursos de flutuação emergencial, recarga elétrica em poucos minutos, entregas por drone, robotáxis sem motorista, pagamentos biométricos e robôs humanoides já existem em aplicações reais na China. A ficção científica não virou realidade por completo — mas várias cenas que antes pareciam futuristas já podem ser encontradas no cotidiano de algumas cidades chinesas.

1. Carros elétricos que recarregam em poucos minutos

Um dos exemplos mais impressionantes vem da BYD.

Em março de 2026, a empresa apresentou a segunda geração da bateria Blade e a tecnologia FLASH Charging. Segundo a fabricante, em uma estação compatível a bateria pode passar de 10% para 70% em cinco minutos e chegar a 97% em nove minutos.

A BYD também anunciou um plano para construir 20 mil estações de carregamento Flash na China e iniciar uma expansão internacional em larga escala até o fim de 2026.

É importante observar a condição: esses números não significam que qualquer carro elétrico poderá ser carregado dessa forma em qualquer tomada. O desempenho depende de veículos, baterias e carregadores preparados para trabalhar com essa potência.

2. O carro que consegue flutuar em uma emergência

Outra cena que parece saída de um filme envolve o Yangwang U8, SUV de luxo de uma marca do grupo BYD.

O veículo possui um recurso de flutuação emergencial. Segundo a própria BYD, em situações extremas, como enchentes repentinas ou obstáculos de água fora de estrada, o U8 pode permanecer flutuando por até cerca de 30 minutos enquanto mantém capacidade de controle para uma saída de emergência.

Isso merece uma ressalva importante: o U8 não é um barco e o recurso não foi desenvolvido para que o motorista use rios ou lagos como rota normal. Trata-se de uma função de emergência.

Mesmo assim, a existência desse tipo de solução em um veículo de produção mostra até onde as fabricantes chinesas estão levando a combinação entre eletrificação, software e controle independente das rodas.

3. Pedir comida e receber por drone já é um serviço real

Entrega por drone também deixou de ser apenas demonstração tecnológica.

A plataforma chinesa Meituan informa que sua operação de drones já ultrapassou 1 milhão de pedidos entregues. De acordo com os dados divulgados pela empresa referentes a julho de 2026, havia mais de 1.500 estabelecimentos parceiros e 65 rotas urbanas.

O serviço já aparece em cidades como Shenzhen, Pequim, Xangai, Guangzhou e Hong Kong, além de Dubai. Na prática, o pedido é preparado pelo estabelecimento, colocado no sistema de transporte e levado pelo drone até pontos autorizados de retirada ou entrega.

Não significa que qualquer endereço chinês recebe comida pela janela de casa. A operação depende de rotas, áreas e estruturas específicas. Ainda assim, o fato de o sistema já ter ultrapassado a marca de um milhão de pedidos mostra que ele passou da fase de simples experimento.

4. Robotáxis já circulam sem motorista

Outro exemplo está nas ruas.

A empresa chinesa Pony.ai iniciou operações comerciais de robotáxis totalmente sem motorista em cidades como Shenzhen, Guangzhou e Pequim. A companhia também opera em Xangai.

Em Shenzhen, a rede passou a atender áreas urbanas e importantes pontos de transporte. Em agosto de 2026, a empresa informou oficialmente que havia ampliado a cobertura para três grandes hubs: Aeroporto Internacional de Shenzhen Bao’an, Shenzhen Bay Port e Shekou Cruise Port.

O usuário solicita a corrida pelo aplicativo, entra no veículo e o sistema de direção autônoma realiza o percurso dentro das áreas autorizadas.

A tecnologia é classificada como condução autônoma de nível 4, o que permite ao veículo dirigir sem intervenção humana dentro de condições e áreas determinadas. Isso é diferente de dizer que o automóvel pode dirigir sozinho em qualquer estrada e em qualquer situação.

5. O pagamento pode ser feito com a palma da mão

Cartão, celular, QR Code… e palma da mão.

O Weixin Palm Pay, da Tencent, utiliza características da palma e das veias da mão para identificar o usuário e autorizar pagamentos.

A Tencent informa que o serviço foi introduzido na China em maio de 2023 e passou a ser usado em situações como transporte, alimentação, comércio, academias e ambientes universitários. Entre os locais citados pela empresa estão a Universidade de Shenzhen, lojas 7-Eleven e uma linha de metrô ligada ao aeroporto de Pequim.

Para utilizar o sistema, o usuário precisa cadastrar previamente os dados biométricos e vincular o recurso à carteira de pagamento compatível.

Além da conveniência, esse tipo de solução também abre discussões importantes sobre privacidade, armazenamento de dados biométricos e segurança. Diferentemente de uma senha, características biométricas não podem simplesmente ser trocadas se forem comprometidas.

6. Robôs humanoides já podem ser comprados

Talvez nenhuma tecnologia reforce tanto a sensação de “estar no futuro” quanto os robôs humanoides.

A chinesa Unitree Robotics, sediada em Hangzhou, comercializa o robô humanoide G1.

Segundo as especificações oficiais, o modelo básico mede cerca de 1,32 metro, pesa aproximadamente 35 kg, possui bateria com autonomia estimada em cerca de duas horas e tem preço anunciado a partir de US$ 13,5 mil, sem impostos e frete.

Vídeos da empresa mostram o robô caminhando, levantando-se, executando movimentos complexos e utilizando aprendizado por imitação e reforço para desenvolver novas habilidades.

Mas existe uma diferença importante entre os vídeos impressionantes e o que um consumidor recebe hoje. A própria Unitree alerta que a indústria global de robôs humanoides ainda está em fase inicial de exploração e recomenda que compradores compreendam as limitações da tecnologia.

Ou seja: comprar um humanoide já é possível. Ter um robô doméstico capaz de cozinhar, arrumar a casa e trabalhar sozinho como nos filmes ainda é outra história.

7. Xangai já tinha um trem de mais de 400 km/h há décadas

Nem toda tecnologia futurista mostrada na China é recente.

O Maglev de Xangai começou a operar comercialmente em 2004 ligando a estação Longyang Road ao Aeroporto Internacional de Pudong.

O trem utiliza levitação magnética e atinge velocidade máxima de 431 km/h. Segundo o governo de Pudong, o trajeto de 30 quilômetros entre Longyang Road e o Aeroporto Internacional de Pudong leva menos de oito minutos.

O mais curioso é perceber que uma tecnologia que ainda parece futurista para muitos visitantes já integra a infraestrutura de Xangai há mais de duas décadas.

Então a China realmente “transformou o futuro em realidade”?

A expressão do título é uma forma de resumir uma mudança visível: tecnologias que durante anos apareceram em previsões sobre o futuro já podem ser encontradas em produtos e serviços reais em determinadas cidades chinesas.

Isso não quer dizer que todas estejam disponíveis para toda a população, que sejam perfeitas ou que tenham se tornado padrão em todo o país.

Também não é possível usar esses exemplos isoladamente para concluir que a China está “à frente de todo o mundo” em tecnologia. Liderança tecnológica depende da área analisada — semicondutores, inteligência artificial, biotecnologia, espaço, energia, robótica e muitas outras frentes seguem trajetórias diferentes.

O que os exemplos mostram com mais segurança é outra coisa: a China se tornou um dos grandes ambientes de desenvolvimento e implantação de tecnologias em escala, e cidades como Shenzhen funcionam como vitrines dessa transformação.

O que ainda é futuro — mesmo na China

Apesar das imagens impressionantes, ainda existem limites claros.

  • robôs humanoides ainda têm autonomia e capacidades práticas limitadas;
  • robotáxis funcionam dentro de áreas e condições autorizadas;
  • entregas por drone dependem de rotas e infraestrutura específicas;
  • recarga ultrarrápida exige veículos e estações compatíveis;
  • pagamentos biométricos levantam questões de segurança e privacidade;
  • tecnologias mostradas em grandes centros não representam necessariamente o cotidiano de todas as regiões chinesas.

É justamente essa diferença entre o que já funciona e o que ainda está sendo desenvolvido que ajuda a separar avanço tecnológico real de exagero.

O que essa transformação pode mudar no trabalho e no dinheiro?

Como profissional da área contábil e de educação financeira, há um ponto dessa transformação que considero especialmente importante: tecnologia não muda apenas os produtos que usamos. Ela também altera empregos, custos, formas de pagamento e a maneira como empresas produzem e vendem.

Robotáxis, automação, entregas por drones e robôs humanoides podem reduzir determinadas tarefas e criar outras. Para quem trabalha, isso reforça a importância de acompanhar mudanças na própria profissão e desenvolver habilidades que continuem relevantes.

No dinheiro do dia a dia, a transformação também aparece de forma silenciosa. Novas formas de pagamento tornam o consumo cada vez mais rápido e quase invisível, enquanto novos serviços podem mudar preços, hábitos e despesas.

Por isso, observar essas tecnologias não é apenas olhar para o futuro. É também perceber que mudanças econômicas e profissionais podem chegar gradualmente — e que organização financeira e capacidade de adaptação se tornam ainda mais importantes quando o mercado muda.

Vídeo que inspirou esta pauta

O ponto de partida para esta matéria foi este vídeo no YouTube sobre o avanço tecnológico da China. As afirmações utilizadas no artigo foram verificadas separadamente em fontes oficiais das empresas e instituições citadas.

Fontes consultadas

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