O nome de Ben Mendes voltou ao centro das atenções durante a campanha para o Governo de Minas Gerais. Desta vez, o motivo é uma disputa com o também candidato Gabriel Azevedo (MDB) que saiu do debate eleitoral e chegou à Justiça.
Depois que Gabriel publicou um vídeo apresentando documentos policiais e judiciais relacionados a Ben, o candidato do Missão pediu à Justiça Eleitoral que o conteúdo fosse retirado das redes.
Em 10 de setembro de 2026, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) negou o pedido de retirada imediata.
Mas o que aconteceu entre os dois e o que, de fato, a Justiça decidiu?
Por que o caso Ben Mendes voltou a repercutir?
A nova polêmica começou depois de um debate entre candidatos ao Governo de Minas realizado em 2 de setembro.
Durante uma troca de acusações, Ben disse que Gabriel estava espalhando informações falsas. Dois dias depois, em 4 de setembro, a campanha de Gabriel apresentou uma notícia-crime à Justiça Eleitoral por possíveis crimes de difamação e injúria eleitoral.
A medida foi acompanhada por documentos policiais e judiciais relacionados a Ben. Segundo o Estado de Minas, foram mencionados mais de vinte registros, além de um levantamento com 14 Registros de Evento de Defesa Social (Reds) produzido em uma investigação anterior à campanha. Esses números se referem a conjuntos diferentes de documentos.
Gabriel também publicou um vídeo de quase meia hora comentando esse material. Foi contra essa publicação que Ben recorreu à Justiça.
O que Gabriel apresentou e o que Ben Mendes respondeu?
Os documentos citados incluem boletins de ocorrência, investigações e procedimentos judiciais ocorridos ao longo dos anos.
Isso não significa que exista condenação em todos esses episódios. Um registro policial, por exemplo, documenta uma ocorrência, mas não equivale por si só a uma sentença judicial.
Ben contestou a divulgação. Na ação eleitoral, pediu a retirada do vídeo, direito de resposta e que Gabriel fosse impedido de fazer novas publicações semelhantes. Sustentou que estavam sendo utilizados registros sem julgamento definitivo para atingir sua imagem durante a campanha.
Em manifestação divulgada após a repercussão, Ben também rebateu as acusações feitas pelo adversário.
O que o TRE-MG decidiu?
No dia 10 de setembro, o TRE-MG negou o pedido liminar para retirar o vídeo imediatamente do ar.
Ao analisar o pedido, a Justiça considerou os documentos apresentados e entendeu que não estavam presentes, naquele momento, os requisitos necessários para determinar a remoção urgente do conteúdo. Veja a cobertura da decisão no Estado de Minas.
Esse detalhe é importante: a decisão não é uma condenação de Ben Mendes pelos episódios citados no vídeo.
O que o tribunal decidiu naquele momento foi se a publicação deveria ou não ser retirada antes do julgamento do mérito da ação. Portanto, manter o vídeo no ar e julgar definitivamente as alegações feitas entre os candidatos são coisas diferentes.
Ben Mendes já foi preso?
Um dos documentos apresentados na disputa atual se refere a um episódio ocorrido em 2015, em Itambacuri (MG).
Segundo certidão judicial citada pelo Estado de Minas, houve prisão em flagrante e uma ação envolvendo desacato e contravenções relacionadas ao exercício ilegal de profissão e às informações prestadas à autoridade sobre identificação ou qualificação.
Ben obteve liberdade provisória mediante fiança no dia seguinte. O procedimento terminou após uma transação penal em 2017, e a extinção da punibilidade foi registrada em 2019.
Portanto, a resposta curta para a pergunta é que houve uma prisão em flagrante em 2015, mas contar apenas essa parte deixa de fora o desfecho posterior do procedimento.
E a briga de Ben Mendes com a gerente de uma loja?
Outro episódio que voltou à discussão ocorreu em 13 de março de 2026, em uma loja de materiais de construção de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
Ben Mendes e a gerente do estabelecimento se envolveram em uma discussão que terminou em agressões. As versões sobre como a confusão começou são diferentes.
A gerente afirmou às autoridades que foi agredida por Ben. Ele, por sua vez, declarou que também foi agredido e que agiu para se defender. No procedimento citado pelo Estado de Minas, os dois aparecem como investigados e vítimas. O episódio também foi acompanhado por veículos como o UOL.
Vídeos daquela confusão circularam amplamente pelas redes sociais na época. Agora, o caso voltou a ser mencionado porque aparece entre os registros usados na disputa política entre Ben e Gabriel.
Quem é Ben Mendes?
Benoni Benjamin Cardoso Mendes, conhecido como Ben Mendes, ganhou projeção principalmente com o Ronda do Consumidor, projeto em que acompanha conflitos entre consumidores e empresas e publica as abordagens nas redes sociais.
Em 2026, entrou na disputa eleitoral como candidato do Missão ao Governo de Minas Gerais. A candidatura aumentou naturalmente a exposição sobre sua trajetória e também fez episódios anteriores voltarem ao debate público.
Afinal, em que situação está o caso?
Depois da decisão liminar de 10 de setembro, houve um novo desdobramento.
Em 16 de setembro de 2026, a Justiça Eleitoral rejeitou o pedido de direito de resposta apresentado por Ben Mendes e manteve o vídeo de Gabriel Azevedo no ar. A decisão mais recente foi noticiada pelo UOL. Segundo a cobertura, ainda cabia recurso.
Isso não significa uma condenação de Ben Mendes pelos fatos mencionados no vídeo. A decisão tratou da permanência da publicação e do pedido de direito de resposta dentro do processo eleitoral.
Até 19 de setembro de 2026, esse era o principal desdobramento público localizado para a disputa.
Por que vale a pena olhar os dois lados
O que mais me chama atenção nesse caso é como uma história pode parecer completamente diferente dependendo de quem a conta.
Por isso, antes de tirar uma conclusão, vale olhar os dois lados, entender o que cada pessoa afirmou e separar acusações daquilo que realmente foi comprovado ou decidido pela Justiça.
Para mim, a principal lição desse caso é simples: antes de formar uma opinião, vale ouvir os dois lados e entender o que realmente foi comprovado.
