Na manhã de 11 de setembro de 2001, um avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center, em Nova York. Dezessete minutos depois, enquanto as imagens do primeiro incêndio já eram transmitidas pela televisão, um segundo avião atingiu a Torre Sul.
O segundo impacto confirmou que não se tratava de um acidente.
Quatro aviões comerciais foram sequestrados naquela manhã. Dois atingiram as Torres Gêmeas, um foi lançado contra o Pentágono e o quarto caiu na Pensilvânia depois que passageiros e tripulantes reagiram aos sequestradores.
Os ataques deixaram 2.977 vítimas de 90 países, sem contar os 19 sequestradores. Foram 2.753 mortes em Nova York, 184 no Pentágono e no avião que o atingiu e 40 passageiros e tripulantes no voo 93, segundo o National September 11 Memorial & Museum.
O que aconteceu em 11 de setembro de 2001?
Os ataques foram realizados por 19 integrantes da Al-Qaeda, organização terrorista então liderada por Osama bin Laden.
Os sequestradores assumiram o controle de quatro voos comerciais que haviam decolado naquela manhã nos Estados Unidos.
O American Airlines 11 atingiu a Torre Norte do World Trade Center.
Pouco depois, o United Airlines 175 atingiu a Torre Sul.
O American Airlines 77 foi lançado contra o Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, na Virgínia.
O quarto avião, o United Airlines 93, não chegou ao alvo planejado. Passageiros conseguiram conversar por telefone com familiares e pessoas em terra e descobriram que outros aviões já haviam sido usados nos ataques.
Eles decidiram reagir.
A aeronave caiu em uma área rural próxima a Shanksville, na Pensilvânia.
Tudo aconteceu em menos de duas horas
Às 8h46, o primeiro avião atingiu a Torre Norte.
Às 9h03, o segundo atingiu a Torre Sul.
Às 9h37, o voo American Airlines 77 atingiu o Pentágono.
Às 9h59, a Torre Sul desabou.
Poucos minutos depois, às 10h03, o voo 93 caiu na Pensilvânia.
Às 10h28, a Torre Norte também desabou.
Em aproximadamente 102 minutos desde o primeiro impacto, as duas torres que faziam parte do horizonte de Manhattan haviam desaparecido.
Quantas pessoas morreram no 11 de setembro?
O número oficial utilizado pelo National September 11 Memorial & Museum é de 2.977 vítimas, sem incluir os sequestradores.
- 2.753 pessoas mortas em Nova York;
- 184 no Pentágono e no voo que o atingiu;
- 40 passageiros e tripulantes no voo 93.
As vítimas eram de 90 países. Entre elas estavam trabalhadores do World Trade Center, passageiros dos aviões, visitantes, bombeiros, policiais e outros profissionais que participavam das operações de emergência.
Por que as Torres Gêmeas desabaram?
Os impactos provocaram danos graves aos edifícios, mas as torres não caíram imediatamente.
A investigação conduzida pelo National Institute of Standards and Technology (NIST) concluiu que os aviões danificaram colunas e pisos e removeram parte do material que protegia componentes estruturais contra o fogo.
O combustível espalhado pelos impactos também deu início a grandes incêndios em vários andares.
Com o avanço do fogo, pisos e colunas perderam resistência. Segundo o NIST, alguns pisos começaram a ceder e puxaram colunas externas para dentro até que a estrutura não conseguiu mais suportar as cargas.
O instituto concluiu que o impacto dos aviões, sozinho, não provocaria a queda imediata. A combinação dos danos estruturais, da perda da proteção contra incêndio e dos incêndios que se seguiram levou aos colapsos.
A Torre Sul permaneceu de pé por cerca de 56 minutos depois do impacto. A Torre Norte, por aproximadamente 102 minutos.
Houve demolição controlada?
A forma como as torres caíram deu origem a teorias de que explosivos teriam sido instalados previamente nos prédios.
O NIST afirmou não ter encontrado evidências que sustentassem a hipótese de demolição controlada.
Segundo a investigação, os colapsos começaram nas regiões atingidas pelos aviões e afetadas pelos incêndios e avançaram de cima para baixo. O instituto também informou não ter encontrado evidências de explosões abaixo dessas áreas que explicassem o início das quedas.
Quem planejou os ataques?
Os atentados foram organizados pela Al-Qaeda, grupo terrorista liderado por Osama bin Laden.
O plano começou a ser desenvolvido anos antes de setembro de 2001. O relatório da Comissão do 11 de Setembro descreve Khalid Sheikh Mohammed como o principal arquiteto dos ataques e registra que a proposta de usar aviões comerciais como armas recebeu apoio de Bin Laden no fim de 1998 ou início de 1999.
A organização mantinha uma ideologia extremista e declarava oposição aos Estados Unidos. Entre os argumentos usados por Bin Laden estavam a presença militar norte-americana na Arábia Saudita e a atuação dos Estados Unidos no Oriente Médio.
Esses argumentos faziam parte da propaganda utilizada pela Al-Qaeda para tentar justificar ataques contra civis e militares.
Explicar esse contexto histórico não significa justificar os atentados nem associar a ideologia da Al-Qaeda aos muçulmanos de maneira geral.
O que aconteceu com o voo 93?
O United Airlines 93 havia decolado de Newark com destino a São Francisco.
Depois do sequestro, passageiros e tripulantes começaram a fazer ligações e souberam dos ataques ao World Trade Center.
Às 9h57, passageiros iniciaram uma reação contra os sequestradores.
A gravação da cabine registrou a luta. Pouco depois, os sequestradores lançaram o avião contra o solo enquanto os passageiros tentavam chegar à cabine de comando.
O voo 93 caiu às 10h03, próximo a Shanksville, na Pensilvânia, a cerca de 20 minutos de voo de Washington.
As 40 pessoas a bordo que não faziam parte do grupo de sequestradores morreram.
A Comissão do 11 de Setembro concluiu que o objetivo de Ziad Jarrah, que pilotava o avião após o sequestro, era atingir um símbolo do governo norte-americano em Washington — o Capitólio ou a Casa Branca. A comissão também concluiu que a reação dos passageiros impediu que o voo alcançasse esse objetivo.
Como o 11 de setembro mudou os Estados Unidos e as viagens de avião
Uma das consequências mais visíveis apareceu nos aeroportos.
Em 19 de novembro de 2001, pouco mais de dois meses depois dos ataques, foi criada a Transportation Security Administration (TSA). A nova agência federal passou a ter responsabilidade pela segurança dos diferentes meios de transporte e assumiu um papel central na inspeção de passageiros e bagagens nos aeroportos norte-americanos.
Outra mudança ocorreu na própria estrutura do governo.
Em 2002, o Homeland Security Act criou formalmente o Department of Homeland Security (DHS). O novo departamento iniciou suas operações em 2003 e, em março daquele ano, passou a reunir 22 órgãos e escritórios federais ligados a diferentes funções de segurança interna dos Estados Unidos.
Os ataques também deram início à chamada Guerra ao Terror e foram seguidos pela intervenção militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão.
Mudanças em segurança aeroportuária, inteligência, controle de fronteiras e prevenção ao terrorismo continuaram sendo implementadas nos anos seguintes.
O que existe hoje no lugar das Torres Gêmeas?
As Torres Gêmeas não foram reconstruídas.
Nos espaços exatos onde ficavam as bases da Torre Norte e da Torre Sul existem hoje duas grandes piscinas com quedas-d’água que formam o National September 11 Memorial.
Os nomes das vítimas foram gravados em painéis de bronze ao redor das piscinas.
O memorial foi inaugurado em 11 de setembro de 2011, no décimo aniversário dos ataques. As piscinas ocupam as áreas onde ficavam as duas torres.
A região do World Trade Center recebeu novos edifícios, entre eles o One World Trade Center, que passou a integrar novamente o horizonte de Manhattan.
25 anos depois, vítimas ainda estão sendo identificadas
O trabalho de identificação dos restos mortais encontrados no World Trade Center ainda não terminou.
Em 24 de agosto de 2026, a Prefeitura de Nova York e o Office of Chief Medical Examiner anunciaram uma nova identificação utilizando genealogia genética forense investigativa.
A vítima, uma mulher adulta cujo nome foi preservado a pedido da família, tornou-se a 1.654ª vítima identificada entre as 2.753 pessoas que morreram nos ataques em Nova York. Foi a primeira identificação de uma vítima do 11 de setembro realizada com essa técnica.
Isso significa que 1.099 vítimas ainda permanecem sem identificação forense.
Desde 2001, o escritório do médico-legista de Nova York continua analisando restos recuperados no World Trade Center e utilizando novas técnicas à medida que os recursos científicos avançam.
Segundo as autoridades de Nova York, esse trabalho continuará enquanto houver possibilidades científicas de realizar novas identificações.
O que 25 anos depois ainda não terminou
Ao revisar toda essa cronologia, uma coisa chama atenção: sabemos hoje com enorme precisão o que aconteceu em praticamente cada minuto daquela manhã. Mas conhecer a cronologia não significa que todas as consequências tenham terminado.
Em agosto de 2026, uma nova vítima do World Trade Center ainda pôde ser identificada graças ao avanço da ciência forense. Ela se tornou a 1.654ª vítima identificada entre as 2.753 pessoas que morreram em Nova York.
Isso muda a forma de olhar para uma data histórica. O 11 de setembro não é apenas um conjunto de imagens que o mundo viu pela televisão ou uma sequência de acontecimentos registrada nos livros. Para muitas famílias, ainda existe um trabalho de identificação que atravessou um quarto de século.
Para mim, esse talvez seja um dos fatos mais fortes dos 25 anos do atentado: a história pode estar amplamente documentada e, ainda assim, permanecer inacabada para quem continua esperando respostas.
Fontes consultadas
- National September 11 Memorial & Museum — dados sobre vítimas e cronologia
- NIST — investigação sobre o colapso das Torres Gêmeas
- Comissão do 11 de Setembro — relatório oficial
- Transportation Security Administration — criação da TSA
- Department of Homeland Security — estrutura e criação do DHS
- Prefeitura de Nova York / Office of Chief Medical Examiner — nova identificação anunciada em 2026
